segunda-feira , 15 outubro 2018
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UNICEF pede que professores e alunos sejam ouvidos na formulação de políticas educacionais




Para UNICEF, políticas devem ser decididas com professores e estudantes que vivem diariamente a rotina escolar. Foto: Governo do Brasil

Em encontro com lideranças do setor privado, governo e sociedade civil, a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Florence Bauer, defendeu na quarta-feira (13) mais união entre instituições brasileiras, como forma de alcançar as metas da ONU sobre educação. Evento reuniu especialistas para debater os desafios à universalização do ensino público de qualidade. Na pauta do debate, estava o papel dos professores na formulação de políticas.

O chefe de educação do UNICEF no Brasil, Ítalo Dutra falou sobre o currículo escolar, que em sua avaliação deve ser entendido de forma ampla e inclusiva. “Não tem como pensar em estratégias de educação disseminadas a partir de uma visão central, deslocadas da realidade escolar. Professor tem que ser autor, estudante tem que ser autor, todos precisam ter voz”, defendeu.

O representante da agência da ONU ressaltou que é fundamental abrir espaço “para escutar quem está todo dia, com mais de 48 milhões de alunos, dentro da escola”. “A escola sozinha não dá conta dos desafios. Mas a mudança não acontece sem ouvir quem está, diariamente, na escola”, completou.

Também presente no evento, a estudante Thaiane alertou para os obstáculos à permanência na escola. A jovem, negra e aluna durante toda a vida de instituições públicas, contou que hoje faz Biologia numa universidade federal. Mas sua trajetória é exceção onde mora.

“Eu ia para a escola andando, com um grupo de amigos. A cada ano, o grupo ficava menor. Essa realidade é muito triste. Eu cheguei à universidade, mas a maioria dos meus amigos não. E não é uma questão de esforço. Essa ideia de que a juventude não quer nada não é verdade, a gente quer um futuro. Também não é questão do professor. Eles fazem o que podem. A escola faz o que pode. Mas ela sozinha não muda a realidade. É preciso pensar nas condições socioeconômicas em que esse aluno está inserido”, disse.

Thaiane lembrou que o Brasil tem educação gratuita, mas “falta ser de qualidade”.

Para o secretário de educação de Pernambuco, Frederico da Costa Amâncio, são necessários mais recursos para reverter o atual necessário, sobretudo na educação básica, fundamento das demais etapas da vida escolar.

“Avançamos no acesso escolar. Avançamos na ampliação dos anos de escolaridade da população. Mas a qualidade não tem avançado como gostaríamos. E temos um altíssimo abandono escolar no ensino fundamental, que se estende pelo ensino médio. Temos que investir nessas etapas de ensino. Para mudar o cenário atual, financiamento e gestão são pontos fundamentais”, disse.

Modelos para a inclusão

Ângela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social, enfatizou que as políticas e programas educacionais devem levar em conta a realidade onde estão inseridas as instituições. “Temos que unir esforços e, ao mesmo tempo, ter um olhar para as especificidades locais. Não podemos falar em uma única educação integral, por exemplo. Precisamos de mais de um modelo, em linha com os diferentes contextos do país”, afirmou.

Para Liliane Garcez, gerente de projetos do Instituto Rodrigo Mendes, há uma parcela de meninos e meninas que estão excluídos e precisam de mais atenção — os jovens com deficiência.

“Quando a escola olha para uma criança com deficiência, vê primeiro a deficiência. Esse é um entrave cultural que precisa ser quebrado. Para falar em direitos humanos, precisamos inverter a centralidade, saindo da deficiência e olhando para a pessoa”, destacou a especialista. E complementou: “Quem sempre foi excluído tem pressa”.

Florence Bauer encerrou o dia de debates com um convite a todos os participantes, para que se engajem e se unam ao UNICEF e seus parceiros. “Trabalhar junto é essencial para mudar para melhor a educação brasileira”, disse a dirigente.

“Setor privado, vocês têm um papel fundamental na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. E podem ajudar em várias áreas: advocacy, geração de conhecimento, inovação, busca por soluções. Esse é nosso convite: sejam porta-vozes dessa agenda e se juntem a nós por todo menino e toda menina, sem exceção.”

O evento terminou com o estudante e cadeirante Eduardo Salgado, de Gravatá (PE), que fez uma apresentação de dança e mostrou que a deficiência não é uma barreira, mas uma porta para a arte e a inclusão.

Fonte: ONU



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